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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MULHER CTÓNICA

*
À Marisa León

Deusas mães em grutas pré-históricas
alimentam teu espírito
da Terra misteriosa e sagrada.

Deméter te concede muitos dons,
frutos e raízes,
em cestas de vime com grinaldas.

Os elfos te permitem compreender
realidades místicas do mundo,
com sílabas sagradas em sua língua.

Mulher ctónica,
tu és quem obsequia,
com forças telúricas,
ao solitário caminhante da noite.

*****

Mães raízes,
sagradas em sua língua,
forças telúricas,
Excelsas deusas ao pernoite.



Ana Muela Sopeña
Tradução ao português: Damião Cavalcanti


*****

MUJER CTÓNICA

A Marisa León

Diosas madres en grutas prehistóricas
alimentan tu espíritu
de la Tierra mistérica y sagrada.

Deméter te concede muchos dones,
los frutos y raíces
en cestillos de mimbre con guirnaldas.

Los elfos te permiten comprender
las realidades místicas del mundo,
con sílabas sagradas en su lengua.

Mujer ctónica,
tú eres la que obsequia,
con las fuerzas telúricas,
al caminante solo de la noche.

*****

Madres raíces,
sagradas en su lengua,
fuerzas telúricas.



Ana Muela Sopeña

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

MISTÉRIO DA IGUANA

*
Um homem solitário
espera que as ruas,
cúmplices dos relâmpagos,
lhe revelem os segredos da vida.

Ele penetra temeroso
no mistério da iguana,
que invade o silêncio das grutas de gelo.

Avança sem pânico...

pelas rampas da memória
e chega ao lugar,
onde o vento se cruza com a vertigem

e se escutam caramujos,
na história
abandonada pela infâmia.

Devastação e sombra
em dunas de areia, perdidas e imantadas
por doces pássaros de bronze.

Esquecimento do tempo.
Sublimação da experiência.


Ana Muela Sopeña
Tradução ao português: Damião Cavalcanti


*****

MISTERIO DE LA IGUANA

Un hombre solo
espera que las calles,
en la complicidad de los relámpagos,
le revelen los secretos de la vida.

Y se infiltra temeroso
en el misterio de la iguana
que penetra el mutismo de las grutas de hielo.

Avanza sin pánico...

por las rampas de la memoria
y llega al lugar
en el que el viento se cruza con el vértigo

y se escuchan caracolas
en la historia
abandonada por la infamia.

Devastación y sombra
en cúmulos de arena, perdidos e imantados
por dulces pájaros de bronce.

Olvido del tiempo.
Sublimación de la experiencia.


Ana Muela Sopeña

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CORPO DE SONHO

*
Navego por um tempo que não existe,
entre sonhos velados
e vivo mundos doces em relógios,
na taquigrafía dos signos
que me levam a vertigem e espaços
do pensamento cheio do mágico.

Respiro no infinito
além de uma nuvem cósmica,
divirto-me em minutos do presente,
recopilo um ontem que me guiava
por caminhos dos deuses criativos.

Viajante na galáxia,
desfruto em escrever...
tão só como um processo em leque
que desprega diante do outro minhas paixões
que habitam em marfim dentro de uma árvore.

Deslizo-me em silêncio
para esferas de luz e de desejo,

enquanto a morte hiberna
no meu corpo de sonho longe de mim .


Ana Muela Sopeña
Tradução ao português: Damião Cavalcanti


*****

CUERPO DE SUEÑO

Navego por un tiempo que no existe,
entre ensueños velados
y vivo mundos dulces en relojes,
en la taquigrafía de los signos
que me llevan por vértigo y espacios
del pensamiento lleno de lo mágico.

Respiro en lo infinito
hacia una nube cósmica,
me recreo en minutos del presente,
recopilo un ayer que me guiaba
por senderos de dioses creativos.

Viajera en la galaxia,
disfruto de escribir...
tan sólo es un proceso en abanico
que despliega ante el otro mis pasiones
que habitan en marfil dentro de un árbol.

Me deslizo en silencio
hacia esferas de luz y de deseo,

mientras la muerte hiberna
en mi cuerpo de sueño en otro hogar...


Ana Muela Sopeña

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MUSAS

*
Suas pétalas eram rosas,
enfeitando negros cabelos.
Escondendo suas mãos de meninas,
levavam ramos de pinheiro.
Vestiam-se com flores silvestres,
que entrelaçavam pescoços e cinturas.

Calçavam sandálias de lua
que descobriam seus dedos de musa.
Cantavam poemas vulcânicos
que falavam a natureza dos seus corpos.
Riam as faces da primavera
e seus olhos mostravam sorrisos tristonhos.

Pétalas vermelhas
adornavam loiros cabelos.

Assim eram as moças do meu sonho.

Ana Muela Sopeña
Tradução ao português: Damião Cavalcanti


*****

MUSAS

Tenían pétalos rosas
adornando sus negros cabellos.
Llevaban ramas de pino
escondiendo sus manos de niñas.
Vestían con flores silvestres
entrelazadas por los cuellos y por las cinturas.

Calzaban sandalias de luna
que descubrían sus dedos de musas.
Cantaban poemas volcánicos
que me hablaban de la naturaleza de sus cuerpos.
Reían de la primavera las mejillas
aunque sus ojos mostraban sonrisas gélidas.

Tenían pétalos rojos
adornando sus rubios cabellos.

Así eran las muchachas de mi sueño.


Ana Muela Sopeña

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

E ALI ESTAVA ELA

*
E ali ela estava,
divinamente humanizada,
num deserto de níveas flores.

Sob os seios, tapete de beijos,
tecido por homens em agonia.
Junto à boca um ricto apático,
repleto de rugas esquivas, ferinas.

Olhei-a devagar,
uma infinidade de coxas,
os olhos lânguidos
de uma figura etérea.

Compreendi seu suplício
e me deixei sujeitar como tantos outros.

Ah! mas, como me agradava
sua voz envolvente,
enredadeira de ópio
e pensamentos...

E ali estava ela,
humanamente divinizada,
com um espelho de folhas de nogueira tenra.


Ana Muela Sopeña
Tradução ao português: Damião Cavalcanti


*****

Y ALLÍ ESTABA ELLA

Y allí estaba ella
divinamente humanizada
en un desierto de flores níveas.

Bajo los senos alfombra de besos
tejida por hombres en agonía.
Junto a la boca un rictus apático
repleto de arrugas esquivas, hirientes.

La miré despacio
infinitud sus muslos,
los ojos lánguidos,
la figura etérea.

Comprendí su suplicio
y me dejé subyugar
como uno de tantos.

Ah! pero cómo gozaba
de su voz envolvente;
enredadera de opio
y pensamientos.

Y allí estaba ella
humanamente divinizada
con un espejo de hojas de nogal tierno.


Ana Muela Sopeña